domingo, 1 de maio de 2016

MORMO



O Mormo ou lamparão, é uma doença infecto-contagiosa causada pelo Burkholderia mallei. É uma doença de caráter agudo ou crônico que acomente principalmente os equídeos, podendo também acometer o homem, carnívoro e pequenos ruminantes, eventualmente.
            Foi descrita pela primeira vez no Brasil em 1811, introduzida provavelmente por animais trazidos da Europa. Após um período de aproximadamente 30 anos sem registros da doença no país, Mota et al (2000), detectaram a doença nos estados de Pernambuco e Alagoas, caracterizando a “reemergência da doença”.
A contaminação acontece pelo contato com material infectante (pus, secreção nasal, urina ou fezes). O agente penetra por via digestiva, respiratória, genital ou cutânea (por lesão). O germe cai na circulação sanguínea e depois alcança os órgãos, principalmente pulmões e fígado.
            Na forma aguda, os sintomas apresentados pelos animais são: febre, prostração, fraqueza e anorexiaanorexia; surgimento de pústulas na mucosa nasal que viram úlceras profundas que geram uma descarga purulenta, tornando-se sanguinolenta posteriormente; formação de abscessos noslinfonodos linfonodos, podendo comprometer o aparelho respiratório surgindo dispnéia. Já a forma crônica localiza-se na pele, fossas nasais, laringetraquéia,, pulmões (evolução mais lenta do que a aguda); a localização cutânea pode ser similar à aguda, no entanto mais branda. A mortalidade dessa doença é muito alta.

 Os animais suspeitos devem ser isolados e submetidos à prova complementar de maleína, sendo realizada e interpretada por um veterinário do serviço oficial. Também é feito o isolamento da área que contém animais doentes, sacrifício destes animais positivos, cremação dos corpos dos infectados, desinfecção das instalações e todo o material que entrou em contato com os doentes. Deve também ser feito um rigoroso controle do trânsito de animais entre os estados e internacionalmente, com apresentação de resultados negativos de testes realizados até, no máximo, 15 dias antes do embarque dos animais.


quarta-feira, 20 de abril de 2016

Anemia infecciosa eqüina (AIE)



A anemia infecciosa eqüina (AIE) é uma doença infecto-contagiosa, causada por vírus do gênero Lentivirus, da família Retrovírus, quando o animal é acometido não há perspectiva de cura. É caracterizada, principalmente, por períodos febris, anemias, hemorragias puntiformes embaixo da língua, inchaço no abdômen, redução ou perda de apetite, depressão e hemorragia nasal. A doença afeta também os asininos (jumentos e jumentas) e muares (burros e mulas).

O vírus da AIE, também conhecida como febre dos pântanos e AIDS eqüina é transmitido por meio de sangue de um animal infectado, através da picada de mutucas e das moscas do estábulo, podendo ocorrer também através do uso compartilhado de materiais contaminados, como agulhas, aparadores de cascos, sonda esofágica, esporas, etc. É possível a transmissão através da placenta, do colostro e do acasalamento (THOMASSIAN 2005).

O diagnóstico da AIE é feito através do teste de Coggins ou Imunodifusão em Gel de Agar (IDGA), em que as amostras colhidas pelo médico veterinário segue para o laboratório, onde são feitas as análises.  Se caso positivo, o animal devera ser isolado e posteriormente sacrificado, a propriedade ficara interditada e todos os animais devem ser reexaminados pelo teste de sorológico. É importante ressaltar que cavalgadas e vaquejadas são considerados de alto risco para a disseminação da doença, caso ocorram sem critérios sanitários.

A prevenção é feita através de medidas sanitárias, como a eliminação dos animais infectados, atenção para não fazer uso de instrumentos contaminados e rígido controle de insetos, impedindo assim a transmissão da doença.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Osteodistrofia fibrosa (Cara inchada)

A cara inchada é consequência de um estado nutricional deficiente em cálcio (Ca), que pode ser primária, quando decorrente de uma baixa ingestão desse mineral na alimentação do animal, obrigando o organismo a mobilizar o Ca depositado nos ossos, ou secundária, quando se tem uma dieta muito rica em fósforo (P), e o organismo retira Ca dos ossos para manter o equilíbrio metabólico de Ca:P.
Outros fatores que podem levar a osteodistrofia fibrosa, são a ingestão de Brachiaria decumebens como alimento volumoso, e a deficiência de vitamina D, por insuficiente irradiação solar ultravioleta na pele, em animais estabulados. Deficiência de cobre, ou envenenamento crônico por esse elemento, também são importantes no desencadeamento dessa doença. 
Os sinais são menos acentuados nos animais adultos do que nos jovens. Classicamente, os ossos do animal afetado estão comumente “moles”, esponjosos e deformados devido a perda mineral de Ca, principalmente na cara, onde a crista facial e osso maxilar apresentam-se salientes, proporcionando o aspecto característico da “cara inchada”. Em casos mais graves, pode haver também engrossamento dos ramos horizontais da mandíbula. Os dentes, podem se desgarrar do alvéolo, e propiciar instalação de alvéolo-periostite, além disso, esses animais estão muito propensos à fraturas graves principalmente em ossos longos e coluna vertebral.
Para tratamento dessa enfermidade, deve-se regularizar o metabolismo mineral do animal acometido, principalmente o equilíbrio Ca:P. Para tal, deve-se de imediato, suspender o fornecimento de alimentos ricos em P, (principalmente milho e farelo de trigo), e alimentar o animal apenas com pastagens de boa qualidade. Paralelamente, pode-se injetar uma vez ao dia 0,5 ml/Kg de solução a 10 % de cálcio IV, e no sal mineral ou concentrado vitamínico, pode ser adicionado 30 a 50 g de carbonato de cálcio ou fosfato bicálcico ao dia.
A chances de recuperação aumentam quando o tratamento é instituído precocemente, portanto, a identificação rápida do problema, para rápida correção é muito importante nesses casos.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Entrópio


Entrópio é a inversão da margem palpebral para dentro do olho, permitindo que os cílios e o pêlo das pálpebras entrem em contato com a córnea e a conjuntiva, o que pode levar a ulceração corneana e descarga ocular purulenta (SLATTER, 1998).

Devido ao entrópio causar danos no globo ocular, os sinais que observamos em animais com essa enfermidade são epífora, blefaroespasmo (contração da pálpebra), inversão do bordo palpebral, edema local e secreção mucopurulenta. Esses fatores são de fácil observação, e o diagnóstico é feito facilmente por inspeção direta.

A contração do musculo orbicular reflexa a uma irritação contínua no olho, pode acarretar num ENTROPIO ESPÁSTICO em animais de qualquer idade. Essa afecção geralmente é unilateral, e o tratamento desse tipo de entrópio, quando recente, é baseado na remoção do agente causador na irritação, e na eversão dos pelos para fora do olho com suturas de colchoeiro das pálpebras ou bloqueio do nervo palpebral (FRASER, 1996).

Todavia, a negligencia em não tratar o entropio espástico faz com que o mesmo permaneça por algumas semanas, o que pode levar a afecção a se tornar permanente, exigindo uma correção cirúrgica, através de um  procedimento de baixa complexidade  (técnica de Holtz-Celsus), que consiste na excisão de uma prega de pele em forma de meia lua a 2 ou 3 mm da margem palpebral seguida de sutura convencional.
 

quinta-feira, 10 de março de 2016

METRITE CONTAGIOSA EQUINA

A metrite contagiosa equina (MCE),é uma infecção causada pela bactéria Taylorella equigenitalis. Foi descrita pela primeira vez em 1977 no Reino Unido, porém em 1988 foi diagnosticada nos EUA em garanhões importados da Europa. Devido essa doença causar grandes perdas econômicas, os EUA impuseram uma regulamentação de importação que requer quarentena de cavalos importados de países não listados como livre da MCE.
O garanhão é portador assintomático e, portanto é considerado a principal fonte de infecção. A transmissão se dá principalmente através do coito, podendo ocorrer também por inseminação artificial ou por vetores mecânicos. A bactéria pode persistir por meses ou anos no smegma do prepúcio e na superfície do pênis (principalmente na fossa uretral).
Já as éguas desenvolvem sintomatologia 10 a 14 dias pós-cobertura, apresentando desde uma endometrite leve até uma secreção mucopurulenta severa e infertilidade temporária. A prole de tais gestações podem ser contaminadas durante a passagem pelo canal do parto. Esses potros tornam-se portadores subclínicos e quando atingem a maturidade sexual, tornam-se transmissores da bactéria causadora da MCE.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Travagem (Palatite)

Travagem é o processo inflamatório crônico no palato duro próximo a face interna dos dentes incisivos superiores.
A principal causa para o aparecimento da atravagem são os constantes traumas na região causados por alimentos grosseiros como grãos de milho inteiro, ou pelo habito de morder madeira ou outros objetos (aerofagia).
 Os animais com essa afecção geralmente apresentam mastigação lenta e dolorosa, o que acaba levando a um emagrecimento progressivo. Ao se observar a boca, nota-se que a mucosa do palato ultrapassa a linha incisiva superior, e adquire consistência firme.
Cirurgicamente, o que deve ser feito nesses casos, é a ressecção do excesso de palato para em seguida se promover uma cauterização local. Para que o animail não sinta as dores do procedimento, uma anestesia local com lidocaína injetada da a partir do forame infra-orbitário se faz necessária, além de sedação naqueles animais mais inquietos.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Pontas dentárias

Uma das alterações mais visualizadas nos equinos são as pontas dentárias, causadas por desgaste irregular dos pré-molares e molares. Esse desgaste pode ser causado pela mastigação em excesso de alimentos muito fibrosos, ou por imperfeita disposição anatômica da linha de oclusão dental.
As pontas são pequenas e pontiagudas, e podem ferir a mucosa oral ou mesmo a língua do animal, dificultando a mastigação, o que pode gerar alterações em toda a digestão do cavalo, visto que com a trituração insuficiente dos alimentos porções maiores de forragem e grãos chegarão ao estômago, ceco e cólon desse equino, podendo gerar compactações, e dificultando a ação das bactérias fermentativas, sendo ambas as situações, predisponentes diretos da cólica.
Expondo a mesa dentária inferior e superior com auxílio de um abre-bocas, é possível através de avaliação visual e passando-se o dedo sobre os molares e pré-molares, verificar a presença das formações puntiformes.
O tratamento é simples, e baseia-se na passagem de grosa dentária sobre a mesa molar inferior e superior, para que se desgaste as pontas, corrigindo o problema.